1. Onde fazer a piscina?
Para quem já possui a casa construída a tarefa parece facilitada, desde que o espaço exterior o permita. Mas para quem se prepara para fazer simultaneamente as duas construções, há que ter em atenção se o local escolhido é o espaço correcto e ideal para a instalação de uma piscina capaz de encher de azul o jardim.
Antes de mais, questões como a proximidade da habitação, o acesso à piscina, instalações de apoio, conforto e, também, estética, são factores a ter em conta.
. Proximidade da habitação
A piscina não deverá ficar muito longe da habitação, pois deve ter-se em conta a necessidade de ter próximos alguns pontos, nomeadamente as fontes de alimentação de energia eléctrica, água e espaço para a casa das máquinas (caso não pretenda fazer uma de raiz).
Não esqueça que fundamental é, também, controlar os movimentos das crianças e que, tendo uma piscina longe da residência (o local onde passa mais tempo), terá maior dificuldade em mantê-las sob vigilância. Há ainda o facto de poder ter que ir atender o telefone, ir à cozinha ou à casa de banho, e a distância poderá tornar-se desconfortável.
Pelo contrário, a piscina também não deverá estar demasiado próxima da casa pois é necessário ter um bom espaço envolvente com a praia e o jardim. Somente se não tiver alternativa, devido à escassez de espaço, a piscina poderá ficar bem junta da habitação.
A importância de programar e deixar espaço suficiente à volta da piscina prende-se também com o facto de este ser sempre um projecto inacabado e em constante transformação. Decerto que irá procurar sempre enriquecer e melhorar o espaço envolvente, daí que programar qual o espaço suficiente será a melhor forma de retirar o melhor proveito da piscina que construir. O ideal será transmitir a sensação que a casa, a piscina e o jardim convivem em perfeita harmonia, e que nada foi forçado aquando da sua implantação.
. Acessos
Deverá calcular o espaço e a localização da piscina sem esquecer que tem de ter um bom acesso à mesma. Evite ter de passar sobre troncos, pedras ou em zig-zag constante, e opte por uma passagem prática e rápida que o leve até à frescura da água.
O acesso deve ser idealizado a pensar no seu conforto, tendo em conta a iluminação e os materiais que vai utilizar no passeio que construir, bem como o seu traçado relativamente ao jardim (relva, flores e árvores).
. Espaços e instalações de
apoio
Mesmo que não faça parte do seu investimento inicial, decerto que vai pretender, mais cedo ou mais tarde, criar um local onde possa guardar as espreguiçadeiras, cadeiras, mesas, brinquedos, toalhas, etc. Uma casa de banho de apoio (com chuveiro) também é um investimento realizado habitualmente por quem possui uma piscina. Para além disso, é ainda comum a instalação de uma churrasqueira perto do local, para os habituais convívios de Verão, onde a piscina é o enquadramento ideal.
. Estética
Tratando-se de um tema subjectivo, onde sobressai o gosto de cada um, resta alertar para a necessidade do espaço envolvente à piscina estar em harmonia e coerência com o todo onde se integra. Procure não ser de extremos, mas sim harmonioso nas suas escolhas, criando um espaço a pensar em si, no seu bem-estar e no da sua família. Idealize o espaço onde gostaria de passar bons momentos nas quentes tardes de Verão e inspire-se nas diferentes opções e sugestões que poderá encontrar nas diversas marcas de mobiliário de exterior, nas revistas da especialidade, como a Ambiente Piscinas, ou nas publicações sobre decoração e design.
Quanto à forma da piscina, hoje em dia tem um grande leque de opções à sua escolha. Há formatos redondos, ovais, quadrados, rectangulares, de formas livres, etc. O melhor será procurar conjugar o seu gosto pessoal com o jardim e a casa que possui, bem como com o uso que lhe pretende dar e o investimento que está disposto a fazer.
Ouça ainda as sugestões do profissional com quem está a negociar, pois decerto o poderá ajudar com opiniões baseadas na experiência e coerência adquiridas ao longo do tempo.
. Conforto
Enquadre a piscina nas suas necessidades. Para além das modas e tendências deverá realizar a piscina que lhe faz falta, a que o vai satisfazer e embelezar o espaço que dispõe, contribuindo assim para uma sensação de conforto e bem-estar.
2. Aspectos técnicos
. Natureza do solo
O ideal seria possuir um solo homogéneo, apesar de esta questão ser imprevisível e incontornável quando a casa já está construída. Cada técnico ou marca de piscinas tem decerto já uma ideia bem formada do que se deverá fazer para controlar este tipo de problemas. Claro está que os solos arenosos são bastante mais instáveis e rápidos na escavação. Há que ter atenção com a drenagem das águas pluviais, pois se o terreno se encontra num declive, existem probabilidades de derrocadas, bem como se existirem lençóis freáticos à superfície ou próximos do fundo da piscina. Quando se trata de terraplanagens deve ter sempre em atenção que o solo só estará completamente estabilizado ao fim de alguns anos.
. Escavações
Intimamente ligadas ao tipo de solo, as escavações poderão ser rápidas e baratas, ou lentas e caras. Para além da dureza do solo, há que não esquecer que é necessária a ajuda de uma escavadora mecânica. Equacione, também, o espaço para as manobras, caso contrário corre o risco de ter de abrir o buraco com a pá e transportar as terras num carrinho de mão.
. Tipo de terreno
Se existir um ligeiro declive deverá ter em atenção o encaminhamento das águas das chuvas, para não correr o risco de surgirem enxurradas que danifiquem a piscina, a praia, ou até mesmo a água. Os declives extremamente acentuados poderão ser suavizados ou então consolidados de forma a que em Invernos mais rigorosos não ocorram deslizes de terras, pedras ou de outros elementos integrados do jardim.
Não esqueça que um terreno plano ou pouco plantado se organiza de forma diferente de um terreno ondulado e muito arborizado. Se tem um terreno plano, dê prioridade à piscina, mas em contrapartida, se possui um terreno ondulado dê maior ênfase à jardinagem e decoração, tentando integrar aí de forma harmoniosa a sua piscina.
. Tipo de jardim e vegetação
Se o jardim existe já aquando da construção da piscina, ou se irá surgir posteriormente, deverá ter sempre em atenção a vegetação existente na zona de implantação. As árvores de folha caduca são inimigas de uma água limpa e sã. Decerto que não terá disponibilidade para andar constantemente de aspirador ou apanha folhas na mão, pelo que convém manter este tipo de árvores afastadas da piscina, a fim de evitar que os detritos se alojem facilmente nas tubagens e filtros, provocando uma maior necessidade de assistência técnica. Mesmo que cubra a piscina durante os meses de menor utilização, procure manter afastada esta vegetação.
Para além das folhas, não esqueça que uma árvore é sinónimo de um mundo de pequenos animais que facilmente caem na água, quer seja pela acção do vento ou pela morte. Tudo isto se irá alojar nos filtros.
Maior atenção deverá ter quando decidir que tipo de plantas e árvores vai colocar no jardim à volta da piscina. Uma árvore em pleno crescimento, sendo de grande porte, necessita de ter fortes raízes para se manter de pé. É neste ponto que reside o problema, pois qualquer que seja o tipo de piscina, a força das raízes, mais cedo ou mais tarde, terá os seus efeitos. É então que surgem os primeiros problemas com fugas de água, pedras levantadas e danificadas na praia, tubagens entaladas e torcidas, etc. Um sonho que se torna pesadelo quando não se tomam as devidas precauções...
Outra questão associada ao jardim é o facto de procurarmos resguardar-nos do vento e dos olhares indiscretos da vizinhança. A piscina é um local íntimo, pessoal, familiar que decerto não gostaríamos que fosse de fácil acesso visual ou físico por quem está no exterior. Será desagradável estar em família e verificar que somos observados, voluntária ou involuntariamente, pelos vizinhos.
O mesmo acontece com o vento, que se pode tornar incomodativo e desagradável, sobretudo se a vegetação envolvente não é densa, mas vertical e bastante sombria, ofuscando o sol e deixando passar o vento. Apesar de tudo, trata-se de uma questão fácil de contornar com a ajuda de um arquitecto paisagista ou de um horto. No entanto, tente não fechar toda a área para não se sentir fechado entre muros e plantas. Apesar de tudo, cada caso é um caso terá de ser pensado de acordo com as suas preferências.
. Skimmer ou transbordo?
Bastante utilizados, os skimmers são entradas situadas na linha de água que recolhem todas as impurezas flutuantes que se encontrem na superfície da água. Outra das técnicas, o transbordo, é uma espécie de parede que fica precisamente ao mesmo nível da linha de água, permitindo que a água escorra para fora e, com ela, as impurezas. Este técnica tem uma vantagem estética, pois uma das faces da piscina não tem qualquer parede acima do nível da água, e em caso de possuir uma vista bonita, transmite-lhe uma sensação de horizonte bastante reconfortante. Este transbordo permite que o lado de fora, para onde escorre a água, seja decorado de forma original, por exemplo tipo cascata, em que a água lançada para fora poderá escorrer para uma outra piscina mais pequena destinada às crianças. As duas técnicas, para além de poderem influenciar o tipo de jardim a construir, são bastante diferentes em termos de preço de construção da piscina.
. Forma da piscina
Se antigamente só poderia fazer uma piscina rectangular ou redonda, hoje
em dia o formato poderá ser razão de dores de cabeça e
de acesa discussão entre os elementos da família. Para além
das formas tradicionais, tem ao seu dispor uma vasta paleta de formas e feitios
que possibilitam a conjugação de formas arredondadas com ângulos
rectos, criando formatos originais.
Deverá, no entanto, ter uma noção de espaço pois pode acontecer de o formato que escolher para a sua piscina não caber no jardim ou que, em vez de ganhar um espaço de lazer, acontecer de ter a área toda ocupada sem margens para construção da praia, instalação de uma escada ou integração posterior de um Spa ao ar livre. Não pense no espaço a curto prazo, mas sim como algo que tem de ser devidamente gerido a pensar no futuro. Hoje tem somente uma piscina, mas daqui a alguns anos pode querer instalar uma cobertura, construir uma churrasqueira ou um espaço com casa de banho e chuveiro.
Apesar de tudo, as formas flexíveis nem sempre são convenientes à paisagem, pelo que deverá consultar o técnico ou um arquitecto paisagista. A dimensão normal de uma piscina varia entre 4 por 8 metros e os 6 por 12 metros. Mais pequena que isto poderá tornar-se num espaço que não permite que a família desfrute convenientemente da piscina. Nesses casos, é aconselhável a instalação de um nadar contra-corrente. Se for de espaço superior, o excesso poderá implicar custos de manutenção e limpeza dispendiosos.
Para ter acesso à piscina, sem ter de mergulhar, poderá
instalar uma escada amovível, ou então uma que seja integrada.
Além de lhe dar acesso à água, a escada é bastante
apreciada pelas crianças e poderá servir como escapatória
para os animais domésticos que caiam à água.
3. O que prever aquando da construção
. Equipamento
Aquando da construção tente prever que possíveis investimentos poderá fazer futuramente na sua piscina e informe o técnico. Assim, quando decidir instalar mais qualquer coisa não vai precisar de fazer grandes obras e rasgos no jardim, poupando tempo e dinheiro.
Programar possíveis extras é uma das tarefas que deve equacionar com antecedência. Desde aparelhos para nadar contra-corrente, escadas de acesso à piscina, Spas ou assentos de bolhas de ar são alguns dos exemplos. Caso não equacione estas situações, mais tarde terá de desembolsar mais meios financeiros, pois não terá instaladas tubagens, sistemas de alimentação de energia ou praia. Se pretende ,aos tarde instalar um abrigo, o correcto nivelamento da praia é fundamental, pois será sobre ela que o abrigo irá funcionar.
Outro exemplo é a casa das máquinas que deve ter as dimensões necessárias para acomodar os equipamentos inerentes à instalação da piscina, mas antever a possibilidade de a qualquer altura poder adquirir mais equipamentos. O ideal será ter uma casa das máquinas fora de terra, de dimensões razoáveis e fácil acesso.
. Manutenção
Vulgarmente usam-se robots, pelo que há que contar com uma tomada de aspiração numa das paredes da piscina. Frequentemente, as piscinas de gama alta (e por conseguinte mais caras) obrigam a sistemas de limpeza integrados que são instalados logo na construção e consistem numa série de injectores de fluxo instalados no fundo da piscina.
. Praias
Se após a conclusão da piscina não tiver disponibilidade de materiais ou financeira para instalar a praia, mais vale aguardar uns tempos, pois se fizer uma escolha precipitada, seguramente mais tarde vai querer arrancar todo o pavimento. Ao aguardar algum tempo vai permitir que os aterros em redor da piscina assentem e estabilizem, podendo substituir entretanto por gravilha redonda ou saibro, ocultando assim todas as terraplanagens. Neste espaço de tempo terá, no entanto, de ter cuidado aquando da utilização da piscina, pois são impurezas que se transportam no corpo na altura dor mergulhos e brincadeiras, sendo recomendável, antes de entrar na água, tomar um duche rápido. Para a praia recomenda-se que escolha um material anti-derrapante que seja facilmente lavado com uma mangueira de água.
. Casa das máquinas
A casa das máquinas é o coração da piscina, pois é por ela que todo o sistema de filtragem e tratamento vai passar. Como tal, esta deverá ser bem estudada e a pensar no dia de amanhã, pois poderá querer instalar sistemas automáticos de tratamento, aquecimento ou mesmo de regulação de água.
Se assim for, ou a casa das máquinas é suficientemente grande ou então obrigará o técnico a improvisar, deixando todo o sistema sobreposto. Aqui o técnico deverá ajudá-lo. Para uma piscina de tamanho médio, normalmente um metro quadrado é suficiente para todo o equipamento de filtragem.
Quanto à localização da casa das máquinas, todas as possibilidades poderão ser equacionadas: escondida debaixo da praia, fora de solo, integrada na habitação ou numa construção efectuada para o efeito.